quarta-feira, 9 de março de 2016

Naná Vasconcelos morre aos 71 anos vítima de câncer, no Recife

O músico estava internado no Hospital da Unimed, no Recife.
O percussionista Naná Vasconcelos durante Festa de Carnaval no Marco Zero na cidade do Recife (PE), no dia 5 de fevereiro de 2016 (Foto: Pablo Kennedy/Futura Press/Estadão Conteúdo)

Percussionista teve parada respiratória e faleceu na manhã desta quarta(9).

O percussionista Naná Vasconcelos, de 71 anos, morreu na manhã desta quarta-feira (9), no Recife. Ele estava com câncer de pulmão.

De acordo com o Hospital Unimed III, onde estava internado, o músico teve uma parada respiratória e passou por um procedimento, mas não resistiu e faleceu às 7h39. Ele estava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por complicações da doença.

Naná Vasconcelos retorna ao palco do Marco zero para participação no show comando por Maestro Forró (Foto: Aldo Carneiro/Pernambuco Press)Naná Vasconcelos com Elba Ramalho, no carnaval
do Recife (Foto: Aldo Carneiro/Pernambuco Press)
Naná deu entrada na unidade médica na segunda-feira (29). No ano passado, o artista passou mais de 20 dias no mesmo hospital, após descobrir o câncer. Segundo Patrícia Vasconcelos, esposa e produtora do músico, Naná passou mal após um show realizado em Salvador, na Bahia, no dia 28 de fevereiro, com o violoncelista Lui Coimbra. Ao retornar ao Recife, foi internado.

Em 2015, Naná também se sentiu mal antes de um show, mas achou que não era nada demais e seguiu com a agenda. No Recife, após uma bateria de exames, foi constatado o câncer. "Pegou todos de surpresa porque ele havia feito um raio-x do pulmão no ano passado (2014) e uma revisão geral há dois meses e nada foi encontrado. Foi tudo muito rápido, um susto", declarou a esposa à época.

Ao ser liberado, pouco mais de 20 dias depois, o músico falou sobre o desafio de enfrentar a doença. "Eu tenho essa situação, e tenho que enfrentar com força, pensamento positivo. E vou enfrentar com o pensamento de que eu vou chegar lá", disse no ano passado. Naná prosseguiu, então, com o tratamento, que incluiu sessões de quimioterapia e de radioterapia, por 40 dias.

Apesar do câncer, Naná participou da abertura do Carnaval do Recife no Marco Zero neste ano na companhia de 400 batuqueiros. E seu último carnaval, o percussionista dividiu o palco com o Clube Carnavalesco Misto Pão Duro, grupo centenário homenageado no carnaval do Recife, com o Maracatu Nação Porto Rico, também celebrado, e com os cantores Lenine e Sara Tavares, de Cabo Verde.

Vida e obra
Naná Vasconcelos é o homenageado do carnaval 2013. (Foto: Sérgio Figueirêdo/ Prefeitura do Recife)
Apelidado de Naná pela avó, a música sempre foi a mola propulsora de Juvenal de Holanda Vasconcelos. Ele não media palavras para descrever seu amor e conexão com ela. Era como se a música fosse a energia, a batida, que movia o coração do percursionista.

No ano de 1960, Naná deixou o Recife e foi morar no Rio de Janeiro, onde gravou dois discos com Milton Nascimento. Com o cantor Geraldo Azevedo, viajou para São Paulo para participar do Quarteto Livro, que acompanhou Geraldo Vandré no icônico Festival da Canção.
Naná Vasconcelos comanda primeiro ensaio de maracatu para o carnaval (Foto: Thays Estarque/ G1)Naná comandando ensaio de maracatu para
o carnaval (Foto: Thays Estarque/ G1)
A obra de Naná foi propagada e respeitada dentro e fora do Brasil. Ele fez parte do grupo Jazz Codona, com o qual lançou três discos. Chegou a gravar com B.B King, com o violinista francês Jean-Luc Ponty e com a banda Talking Heads, liderada por David Byrne, um dos grupos precursores do movimento "new wave". Nacionalmente, ele participou de álbuns de Milton Nascimento, Caetano Veloso, Marisa Monte e Mundo Livre S/A.

O pernambucano também fez trilhas sonoras para filmes nacionais e norte-americanos. Foi eleito oito vezes, por revistas especializadas em música nos Estados Unidos, como o melhor percussionista do mundo.

Em contraponto, por sempre acreditar que a música podia transformar e melhorar a vida das pessoas, também era um humanitário nato. Naná foi responsável por criar diversos projetos sociais como o "Língua Mãe", que reuniu crianças de três continentes: América do Sul, Europa e África. Naná também defendia levar a música para dentro das comunidades carentes do Recife como forma de incentivo à educação e cultura.

Há 15 anos, a abertura do carnaval do Recife seguia sob o comando firme e talentoso de Naná. Com 12 maracatus, 600 batuqueiros e o coral Voz Nagô, o marco ocorria sempre na sexta-feira de carnaval, levando magia e beleza para a multidão de foliões. Um espetáculo que só a criatividade de Naná e a força do carnaval pernambucano podiam criar.

Fonte: Do G1 PE

Nenhum comentário:

Postar um comentário