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segunda-feira, 10 de março de 2014

Por falta de divulgação internacional, Fifa “devolve” 5 mil leitos em Natal


Presidente da ABIH, Habib Chalita comentou os dados negativos do turismo no Rio Grande do Norte como redução no número de voos e falta de divulgação.


Gerlane Lima/Nominuto.com
Habib Chalita comentou os dados negativos do turismo no Rio Grande do Norte como redução no número de voos e falta de divulgação.
Natal é conhecida nacionalmente por ser uma das capitais que possui maior número de leitos no Nordeste. Apesar do número superior aos 20 mil leitos, os dados não foram suficientes para a Federação Internacional de Futebol (Fifa) que devolveu 5 dos 10 mil leitos contratados para a Copa do Mundo.
O assunto foi tratado pelo presidente da Associação Brasileira de Hotéis do RN (ABIH), Habib Chalita em entrevista ao RN Acontece nesta segunda-feira (10).
“Natal foi escolhida como sede da Copa do Mundo pelos leitos da rede hoteleira e posição geográfica. Mesmo assim, 10 dias antes da assinatura do contrato, a Fifa anunciou a devolução dos 5 mil leitos porque não existe divulgação internacional de Natal como destino turístico”, comentou Habib.
Nas outras cidades-sede da Copa do Mundo a Fifa também fez devoluções de leitos, mas a quantidade foi menor. “Nas outras cidades, as devoluções foram mínimas e a Fifa disse que existe possibilidade de negociação. No caso de Natal, o diretor presidente da Match afirmou que não haverá possibilidade de aumento nos leitos porque não há divulgação de Natal nos destinos internacionais”, justifica.
Nas cidades-sede da Copa, vizinhas a Natal como Recife, Fortaleza e Salvador a Fifa manterá os leitos. “O turismo no Rio Grande do Norte é tratado como indústria secundária, diferente dos nossos vizinhos e por isso vamos deixar de ganhar milhões na Copa”, frisou Habib.
De acordo com o presidente da ABIH, o valor das diárias em Natal tem valor mínimo de R$ 250  que se multiplicado aos leitos ajudaria a economia do Rio Grande do Norte. “Além da rede hoteleira, 52 setores que são ligados diretamente como os bugueiros e artesão que também deixaram de lucrar”, disse.
Ainda sobre o valor da hospedagem, Habib considera o valor das diárias natalenses como “bom” já que a média das diárias nas cidades-sede é de R$ 600 e no Rio de Janeiro e em Brasília, o valor chega a mil reais.
O prejuízo causado pela falta de propaganda de Natal como destino turístico na rede internacional e falta de apoio do Governo do Estado para o turismo é maior do que se imagina. Segundo Habib Chalita, a questão do valor dos voos e de não atrair mais empresas faz parte dos índices negativos alcançados pela gestão de Rosalba Ciarlini (DEM) que não apoia o trade.
“Fortaleza ganhou um voo direto para Miami, Sergipe ganhou um direto para Santiago, no Chile e até João Pessoa terá um voo direto para a Argentina. E Natal?”, reclamou.
Questionado sobre o novo aeroporto, Habib disse que o equipamento será bom para o turismo sim, mas que também será bom para a economia, para o escoamento da produção potiguar e denunciou que os acesso não estão sendo feitos pelo Governo, como anunciado pela propaganda governamental. “Eu tive a informação de que o consórcio Inframérica está fazendo o acesso da BR-406 por saber que o Governo do Estado não iria fazer”, comentou.
Com a devolução dos leitos, a ABIH está com outra estratégia para aquecer o turismo. “Estamos tentando vender Natal como porta de entrada da Copa e para que o turista venha para Natal e possa ir ao Ceará e Pernambuco onde também terão jogos da Copa. Venha pra Natal e para três sedes. O turista internacional vem e ganha na qualidade e preço da hospedagem”, garante.
Outra demanda não atendida pelo Governo do Estado é em relação a redução de ICMS no combustível de aviação. “Entregamos o projeto que diminui de 17% para 12% e até hoje essa gestão nunca nos deu uma resposta”, comenta.
Para Habib essa é uma das explicação na redução do número de voos pelas empresas aéreas e o valor mais alto do preço das passagens. “Se você fizer um cálculo de um voo de São Paulo a Fortaleza e a Natal, no mesmo dia, mesma empresa a diferença é de R$ 800 reais a mais para quem vem para Natal”, comentou.
No final da entrevista, em tom de reclamação, Habib lançou o questionamento. “Por que não se investe em turismo no Rio Grande do Norte?”, disse.

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