Com a apreensão de 496 quilos de maconha e um quilo de cocaína que estavam em poder de dois homens em Caicó, na noite de segunda-feira (11), a Polícia Federal (PF) já acumula 1.307,4 quilos de drogas apreendidas em 2015 no Rio Grande do Norte, volume que já ultrapassou o total de drogas apreendidas ao longo de 2011 - 1.259,9 quilos. A quantidade de drogas apreendidas entre janeiro e 11 de maio deste ano representa, ainda, quatro vezes mais o volume apreendido em 2014, que foi de 272,8.
O superintendente regional da PF, delegado Kandy Takahashi, disse que tomando como base anos anteriores, isso significa “pela análise que nós estamos fazendo”, que realmente está ocorrendo um crescimento no consumo de drogas no RN e na região Nordeste.
“O fato é que a gente tem percebido que as grandes cidades polos como Caicó, Mossoró e a Região Metropolitana de Natal, têm recebido grande volume de drogas, principalmente de maconha, pela facilidade com que esse tipo de droga é inserido no próprio mercado”, disse o superintendente da PF no Rio Grande do Norte.
Para Takahashi, não é nenhuma surpresa para a PF o que vem ocorrendo: “Mas, estamos acompanhando essas situações, tanto que neste ano acumulou-se um número recorde de apreensões, são drogas que tiramos de circulação em prol da sociedade”.
Segundo Takahashi, a apreensão da droga e a prisão em flagrante de motorista de caminhão, de 36 anos, e um vendedor de rede, de 29 anos, ambos potiguares, foi fruto de uma investigação que legou agentes da PF à região do Seridó, depois que se recebeu informações de que o veículo onde estava a droga, pertenceu a uma pessoa que foi, uma certa vez, presa em Mossoró por tráfico de drogas.
A abordagem aos dois traficantes ocorreu em um posto de combustível no bairro de Barra Nova, a maconha foi entrada em tabletes escondidos na lataria da carroceria do caminhão baú, onde também foi achado um saco com pó branco, que após submetido a exames preliminares, deu positivo para cocaína.
Segundo a PF, a droga vinha do Mato Grosso do Sul e seria distribuída nas regiões Seridó e Oeste e, em parte da Paraíba. No local, a polícia também apreendeu um automóvel.
A PF informou, ainda, que autuados em flagrante, os suspeitos de tráfico de drogas negaram saber da existência da maconha e da cocaína e disseram que vinham do Piauí, onde “comercializavam redes de dormir”. Os dois acusados foram indiciados por tráfico interestadual de drogas e encaminhados para o presidio Francisco Pereira da Nóbrega, o “Pereirão”, em Caicó onde ficam à disposição da Justiça.
O superintendente da PF disse, ainda, que o crescimento do volume de apreensão de drogas deve-se, primeiro, pelo aumento do mercado consumidor e, depois, pelo fato de que também cresceu o trabalho da Polícia na área de repressão ao tráfico de entorpecentes, que vêm sobretudo da região de fronteira do Brasil com outros países, como Bolívia e Paraguai, com os estados do Acre, Rondônia, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso. “A fronteira de rios internacionais ou de fronteira seca tem uma extensão muito grande, o que dificulta a investigação efetiva nessa região, não só da PF, mas da Polícia de um modo geral”, destacou ele.
Bate papo
Kandy Takahashi - superintendente da Polícia Federal/RN
Fala-se muito na apreensão de “mulas” e “aviões”, o pessoal do varejo das drogas, e cobra-se que não tem prisões de grandes distribuidores no Rio Grande do Norte. A Policia tem dificuldade de se chegar a essas pessoas?
A gente trabalha com esse intuito e sempre objetivando atingir o topo da pirâmide, atingir realmente a cabela, aquele que busca trazer droga para o Rio Grande do Norte, não só prender “mulas”, quem está transportando. Isso aí é um trabalho um pouco mais complicado, nós precisamos muitas vezes ter o apoio institucional do Poder Judiciário e do Ministério Público, investigações que são mais longas e hoje a gente sabe, que o meio de comunicação entre traficante, “mula”, fornecedor, não se restringe apenas a uma ligação telefônica. Então, essa própria dificuldade natural da investigação tem dificultado a identificação daqueles que iriam fornecer ou receber a droga.
Quer dizer que, historicamente, nunca se chegou à prisão de um grande traficante no Estado?
Não, houve prisões no passado sim, de grandes receptadores e distribuidores de drogas. Mas há grupos estabelecidos aqui e estamos tentando identificar.
Então, a PF pode chegar a prender um grande distribuidor?
O objetivo da Polícia Federal hoje é, além de tirar a droga de circulação, fazer primeiro a descapitalização dessas organizações, ou seja, tirar o dinheiro, que é grande atrativo, e em segundo lugar, prender essas pessoas. Somente com trabalho de investigação é que a gente vai conseguir fazer isso daí.
O que caracteriza ou diferencia um grande traficante de uma “mula” ou pequeno traficante?
O grande fornecedor seria aquele que é capaz de, ao mesmo tempo, arregimentar grandes quantidades de drogas, trazendo da região de fronteira para a região de consumo, capacidade de mobilizar uma grande quantidade de pessoas ao redor, caracterizando o crime organizado, e capacidade também de se infiltrar dentro do Estado, como o poder de corromper policiais, que infelizmente a gente vê acontecer na realidade.
Tribuna do Norte
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