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sexta-feira, 19 de junho de 2015

Senadores brasileiros são hostilizados na Venezuela

Caracas (AE) - Num clima de tensão provocado pela ação de militantes pró-governo de Nicolás Maduro, e com direito a abordagem de militares com câmeras filmadoras, a comitiva de senadores brasileiros não conseguiu cumprir sua agenda de visita aos líderes políticos de oposição presos. O grupo, liderada pelo senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), presidente da Comissão de Relações Exteriores, voltou ao Brasil após cinco horas de espera e duas tentativas frustradas de sair do aeroporto metropolitano em direção ao centro da capital Caracas, a 21 quilômetros dali.

DivulgaçãoSenadores brasileiros momentos antes de deixarem o aeroporto e tentarem visitar os prisioneiros
O grupo de oito parlamentares visitaria vários líderes de oposição a Maduro, inclusive Leopoldo López, em greve de fome há 25 dias, e também almoçaria com membros da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática. Havia, ainda, previsão de encontros com parentes de presos políticos e uma visita ao prefeito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma, que cumpre prisão domiciliar. Mas o grupo teve que voltar muito antes do previsto ao Brasil.

O ambiente hostil aos senadores começou logo no desembarque do avião da Força Aérea Brasileira (FAB) quando, segundo os parlamentares, militares venezuelanos que estavam na pista do aeroporto filmaram “de forma ostensiva” a comitiva. Na sequência, o grupo entrou em micro-ônibus e teve que pressionar o motorista para furar o esquema de segurança, composto por policiais batedores em motos e carros, que os acompanhava no trajeto, na tentativa de encontrar as esposas dos presos políticos e a deputada opositora Maria Corina Machado. As mulheres aguardavam os senadores no saguão do aeroporto. “Tivemos que furar o cerco dos batedores venezuelanos para podermos encontrar com as esposas”, disse Cassio Cunha Lima (PSDB-PB).

Vias interditadas
Após o reembarque no veículo, um quilômetro adiante, o grupo foi abordado por manifestantes que aproveitaram o engarrafamento para cercar o micro-ônibus. Eles gritavam “Chávez não morreu, se multiplicou” e “Fora! Fora!”. Os batedores não impediram a ação do grupo. Os senadores relataram a agitação dentro do veículo com batidas dos manifestantes na lataria, gritaria e o arremesso de objetos, inclusive laranjas. As mulheres, segundo o grupo, se atiraram ao chão e pediram para fechar as cortinas do micro-ônibus. “Muito mais do que cercados por manifestantes, fomos cercados por manifestantes contratados. Quando tentamos chegar aos locais onde iríamos desenvolver uma ação democrática e humanitária a presos políticos pelo regime ditatorial de Nicolás Maduro, fomos impedidos porque, artificialmente, obstruíram as vias de acesso”, disse Agripino Maia (DEM-RN).

As vias de acesso ao aeroporto ficaram congestionadas ao longo de todo o dia. Um dos motivos alegados pelas autoridades locais foi a chegada de Yonny Bolívar, detido na Colômbia e enviado a Caracas acusado de homicídio. Também teria havido engarrafamento porque um dos túneis de acesso ao aeroporto foi interditado para ser lavado, o que, segundo os locais, trata-se de um caso raro. “O ambiente estava tenso, tudo ficou parado, logo após o túnel também havia manifestantes gritando `não passa, não passa’”, afirmou um dos militares que escoltava o grupo.

Depois de ficar parado em uma das vias de acesso ao presídio Ramo Verde, próximo ao bairro Montesano, o ônibus com os parlamentares brasileiros acabou retornando ao aeroporto. “Essa é a constatação de que nossa visita é indesejada. É incompreendida. Tudo é fruto de uma armação para tentar impedir a nossa agenda. Percebo que há uma planejamento para não deixarem cumprir a nossa agenda”, afirmou o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES).

Em uma segunda tentativa foi frustrada porque o tráfego intenso. A informação que chegou era que haveria a abertura de um acesso alternativo à comitiva, o que acabou não ocorrendo. A pista auxiliar não foi liberada.

Ao longo do trajeto, os senadores criticaram o embaixador do Brasil no País, Rui Pereira. O diplomata, que recebeu a comitiva no desembarque, deixou o grupo logo em seguida. “Falamos com o embaixador brasileiro, agora. É o Congresso Nacional brasileiro que está sendo atingido. Isso não aconteceria, essa exposição dos senadores, e dos riscos que estamos passando, se, de alguma forma, não houvesse conivência do governo. Solicitamos ao embaixador que faça uma reclamação formal pelo que aconteceu. Estamos em uma visita oficial. Não podemos estar expostos desse jeito”, disse o senador Aécio Neves .

José Agripino afirma que houve ameaça e boicote 
Em Caracas (Venezuela), ontem, o presidente nacional do Democratas, José Agripino, disse que os senadores passaram por momentos de tensão e ameaça quando tentavam se deslocar do aeroporto para o presídio de Rama Verde – onde se encontra o líder opositor venezuelano Leopoldo López. 

José Agripino narrou que “os manifestantes contratados” jogaram pedras e davam murros na ônibus onde estavam os oito parlamentares brasileiros que integravam a missão.

“Fomos cercados por manifestantes contratados. Quando tentamos chegar aos locais onde iríamos desenvolver uma ação democrática e humanitária a presos políticos pelo regime ditatorial de Nicolás Maduro, ficamos impedidos porque, artificialmente, obstruíram as vias de acesso”, disse o parlamentar pelo Rio Grande do Norte. Após duas tentativas de chegar ao presídio, os senadores decidiram retornar ao Brasil na noite desta quinta.

Além de José Agripino, estavam na comitiva em Caracas os senadores Aécio Neves (PSDB-MG), Aloysio Nunes (PSDB-SP), Ronaldo Caiado (DEM-GO), José Medeiros (PPS-MT), Sérgio Petecão (PSD-AC), Ricardo Ferraço (PMDB-ES) e Cássio Cunha Lima (PSDB-PB).
Fonte: Tribuna do Norte

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