O cearense Fagner completa, hoje, 67 anos. A data vai ser celebrada no palco, junto com o público. Novo disco já está em produção.

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| Fagner durante coletiva para falar do show e da carreira |
Raimundo Fagner não é dado a comemorações. Diz que a vida já é uma festa e, por isso, não sente falta delas. Mas, para celebrar seus 67 anos de vida, ele resolveu lançar mão desta tradição às avessas para subir ao palco do Cineteatro São Luiz hoje - data de seu aniversário - e amanhã. A notícia foi tão bem recebida pelo público, que os ingressos esgotaram em menos de uma hora de venda online, há um mês. Na última terça-feira, o cantor e compositor resolveu conversar com jornalistas no palco do Cineteatro e, por quase uma hora, costurou assuntos sobre sua carreira, seus parceiros e sua atual produção.

Sobre o show, ele logo disse que não daria muitos detalhes do repertório. Mas adiantou que haverá um bom time de músicos cearenses em sua companhia, como Jorge Helder, Manassés, Cristiano Pinho, Robertinho e Marcos Vine. “O repertório é de músicas que eu não canto há muito tempo, mas elas vão se adequar muito bem para esse momento”, contou e emendou: “Estará caindo a ficha da história de um artista da terra, que nasceu a três quarteirões daqui - na rua Floriano Peixoto. No primeiro filme que teve aqui - chamado Anastácia, exibido em 1958 - eu não entrei, porque fui barrado, eu não tinha paletó”, lembrou.
Novo disco
Se o show quer olhar para trás e recapitular canções gravadas nos 40 discos lançados desde 1973, Fagner também tem os dois pés fincados no presente. Há mais de um ano, o músico tem colecionado músicas inéditas para compilar em disco que, provavelmente, será lançado em 2017. Atualmente, já são quatro músicas gravadas. Uma delas é um forró assinado por Targino Gondim (autor de Esperando na Janela, conhecida na voz de Gilberto Gil).
Além de Targino, Fausto Nilo, Zeca Baleiro, Moacir Franco e Clodo assinam algumas das composições. “E são tantas outras músicas, que, agora, nesse final de ano, quando eu der uma parada, porque foi um ano muito corrido, eu vou me colocar diante do que eu venho fazendo de um ano pra cá. É um disco que eu estou fazendo aos poucos, porque não tem pressa. Mas tô sentindo que ele tá começando a amadurecer”, diz o cantor. E resume: será um disco com os velhos poetas, e, também, com novas produções que estão surgindo.
Elis Regina
Ao recapitular os fatos que permitiram Fagner construir uma carreira tão sólida e respeitada no mercado fonográfico, é impossível não falar de Elis Regina. O primeiro disco do compositor veio em 1973, o Manera Fru Fru . Mas, um ano antes, a Pimentinha incluia Mucuripe (assinada por Fagner e Belchior) no repertório do disco Elis. Foi um sucesso.
“Elis foi responsável por eu estar aqui. Eu já estava em um momento bem difícil, minha família pedindo pra eu voltar (do Rio de Janeiro). Foi quando eu soube que a Elis estava cantando quatro músicas minhas no teatro dela: Mucuripe, Cavalo Ferro, Noves Fora e Moto 1”, conta. “Aí eu virei autor da noite pro dia. Elis era mágica. Então, nesse janeiro de 1972, eu deixei de ser um Zé Ninguém para ser o compositor da Elis Regina. Ela me levou, generosamente, para morar na casa dela e de Ronaldo Bôscoli”, rememora.
Enquanto Elis lançou Fagner como compositor, foi Nara Leão quem o lançou como cantor. Com a carreira impulsionada, logo iria gravar Joana Francesa com Chico Buarque, e estabelecer novas parcerias importantes. “Minha vida é um estúdio fonográfico. Gravei mais de 40 discos, produzi mais de 50 discos. O estúdio, pra mim, é comida. Eu adoro estar dentro dali”, resume Fagner, que não pretende frear as produções tão cedo.
SERVIÇO
Show de Raimundo Fagner
Quando: dias 13 e 14 de outubro, às 20h
Onde: Cineteatro São Luiz. Rua Major Facundo, 500. Centro.
Ingressos esgotados.

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